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A Arte da Simplicidade

"Se vives de acordo com as leis da natureza, nunca serás pobre; se vives de acordo com as opiniões alheias, nunca serás rico." (Séneca)

"Se vives de acordo com as leis da natureza, nunca serás pobre; se vives de acordo com as opiniões alheias, nunca serás rico." (Séneca)

A Arte da Simplicidade

09
Set17

Haja Bom-Senso


Margarida

Passei, na passada semana, por uma conferência sobre a "Confiança nos Cuidados de Saúde".

Como em todas as conferências deste género tive vontade de discutir com os palestrantes, de lhes mostrar o meu desacordo ou a minha alegria de os ouvir. A ética e a deontologia são tão vastas que rapidamente se passa da confiança à lealdade, à literacia ou à responsabilidade. 

E foi a questão da responsabilidade que me prendeu a atenção e me fez entrar numa espécie de "transe reflexivo" e que me fez escrever este texto. 

Nessa dita conferência uma "cadre de santé" (o equivalente francês a um chefe de uma área de saúde, como por exemplo uma enfermeira chefe) e um filósofo fizeram as suas apresentações e tocaram num assunto da moda dentro dos ciclos da medicina. Porque são as terapias alternativas assim tão apetecíveis para os doentes?

As respostas foram muitas e variadas: Falou-se de ceticismo e de falta de confiança, de lealdade e de questionamento mas sempre no sentido do médico em relação ao doente. Mas como qualquer relação só faz sentido nos dois sentidos faltou a parte doente-médico para completar o quadro. 

Nesse espaço de tempo fiz uma revisão de tudo aquilo que vi ao longo destes mais de sete anos de prática clínica enquanto fisioterapeuta e vi também passar pelos meus olhos tantos outros aspetos da minha vida pessoal e de situações que ouço e vejo ao longo do dia. Afinal a minha profissão faz parte da minha vida mas não é ela que me define, no entanto o fato de ser a Margarida definirá em muita coisa a minha vida profissional. 

Desde cedo acusei o peso da "responsabilidade" que o doente punha nas minhas costas e sempre fui muito sensível à sua exigência e à sua crítica. Claro que hoje em dia cresci e lido com a situação de outra forma mas, como naquela altura, creio que faz sentido partilhar alguma dessa responsabilidade com quem está mais interessado na situação: o próprio doente.

Se é minha obrigação moral ser competente e eficiente, aprender mais e estudar mais, compreender o doente, os seus problemas, as suas queixas, saber avaliá-lo e acompanhá-lo ao doente deve ser imputada a sua responsabilidade na admissão da verdade e da adesão à terapia proposta. Em exemplo concreto: se um insuficiente cardíaco crónico vêm parar ao hospital três vezes num ano porque não respeitou a prescrição hidríca que o médico lhe fez ou se um transplantado renal faz uma rejeição de órgão por não tomar os seus medicamentos a tempo e horas a quem deve ser imputada a responsabilidade? Não é com certeza do médico mas ninguém vai dizer que houve erro do doente (vamos preferir o "coitadinho").

Se há erro médico no Mundo real, há com certeza mas, no entanto, essa taxa é muito mais baixa do que se pensa.

Se não há acordo e a comunicação nem sempre é eficaz sim, deviamos acrescentar mais humanismo áquilo a toda a técnica de que dispomos. Se passassemos a encarar a pessoa, e não o seu médico, como ator principal da sua saúde seria já um passo de gigante nesta humanização dos serviços de saúde mas é tão confortável quer para um lado quer para o outro a ideia do "médico paternalista" que tudo sabe e tudo pode... mas que, no entanto, aleado ao excesso de informação errada ou mal compreendida, que nos está acessível num simples click, é um verdadeiro problema para a medicina nela mesma pois torna-nos mais cépticos e mais revoltados. 

Mas não é só de medicina que vive o homem, passemos então a outra questão: Nunca tivemos tanta informação, nem tantos livros de psicologia positiva, de desenvolvimento pessoal e de educação alternativa e nunca tivemos país tão infelizes e filhos tão problemáticos. Dá vontade de perguntar onde está o erro no meio disto tudo.

Os pais sentem-se pouco confiantes e culpados por terem uma vida complicada com muitas horas de trabalho, por não darem aos filhos tudo o que eles querem ou por estarem pouco tempo com eles e vão em busca de verdades absolutas em livros de educação alternativa sem, no entanto, utilizarem o seu sentido crítico nesta leitura: estão demasiado focados nos seus próprios erros e, mais uma vez, precisam de uma mão amiga, de alguém que lhes afague a cabeça e diga: é assim que se faz. 

Ou seja, algo que podia ser um apoio interessante à partida passa a ser encarado como uma verdade absoluta e  são cada vez mais comuns a defesa de teses como a necessidade absoluta de respeitar as vontade da criança, ou melhor deixá-la fazer tudo o que lhe apetece, para que ela desenvolva a sua personalidade. E a minha pergunta é: e onde fica a educação que será tão necessária a essa criança para viver em sociedade e estabelecer relações interpessoais? E o seu sentido de resiliência? E a sua estrutura de valores?

Podemos ir ainda mais longe se nos centrarmos em algumas das críticas lançadas à escola e ao sistema de educação. Os pais exigem escolas mais interessantes, com temáticas mais atrativas esquecendo-se que o aproveitamento do aluno têm de passar pelo seu esforço! E sejamos honestos como podemos ter médicos, advogados ou professores, ou mesmo ser simplesmente críticos em relação ao que nos rodeia se não tivermos um mínimo de conhecimentos de biologia, química, matemática ou história ou das principais ciências que explicam o Mundo em que vivemos e as relações entre os seus habitantes? E se, só fizermos aquilo que nos interessa sem passar por situações de dificuldade mas apenas de prazer podemos sinceramente evoluir como pessoas, saber do que gostamos ou não e saber respeitar o outro, aquele que faz algo de que não gostamos?

Existem muitos outros exemplos para além destes. Existem milhares de possibilidades de respostas a refutarem este meu texto: que os médicos se estão a borrifar para os doentes nos fins de turno, os filhos não têm de ser obrigados a dar beijinhos às tias ou que a escola tinha margem para ser mais atrativa. Posso estar de acordo com todas elas ou não mas vou respeitá-las. Mas não nos devemos esquecer que o bom senso têm de estar presente, assim como o sentido crítico (positivo) daquilo que vemos ou lemos. E o mais engraçado é que estas noções podem todas coexistir de uma maneira saudável e ajudar-nos finalmente a ser mais responsáveis, mais literados, mais proativos e consequentemente mais confiantes em nós e mais felizes! 

Margarida

 

29
Ago17

As Mensagens a NÃO enviar aos familiares que estão longe!


Margarida

E já está: acabou o mês de Agosto e a maioria dos "nossos emigrantes" (dos quais eu, apesar de detestar a palavra, faço parte) deixou as suas terras rumo aos países que os acolhem. Alguns voltarão no Natal outros apenas daqui a um ano...  

Foi com certeza um mês muito bem aproveitado com "jantaradas", "petiscadas" e outras "adas" e agora o maior desejo de quem fica é manter o contacto e a sensação de proximidade com quem foi.

O telemóvel, as redes sociais no geral e os sistemas de telechamada servem para isso mas, por favor, mantenham a prudência.

Há coisas que se enviam ou que se dizem que, apesar das boas intenções, não serão simpáticas a ler por parte de quem recebe. Aqui ficam alguns exemplos:

- Mensagem a expressar ou a lamentar a partida e o "nem te despediste" da praxe! O momento da partida é um momento muito emotivo e que obriga a uma grande gestão. É o fazer a mala, o precipitar as despedidas, a gestão das crianças... e, mesmo com todo o esforço, posso garantir-vos que a maioria das coisas previstas não são feitas o que deixa, por si só, um certo "amargo na boca"... por isso enviar uma mensagem a exprimir essa tristeza sobretudo quando não houve muito contacto durante as férias é desnecessário e sobretudo magoa quem a recebe. É mais simpático desejar boa viagem e prometer que para o ano aproveitarão mais. 

- Mensagem a fazer uma pergunta ou a pedir algo emprestado: Esta aqui é o pão nosso de cada dia na minha vida. Família ou amigos que estão meses sem te dizer nada e que, de repente, te enviam uma mensagem a pedir se podem usar o casaco de que te esqueceste ou a perguntar coisas do género "que idade têm a Maria?" é... estúpido! E mesmo que a pessoa te responda vai ficar com uma vontade enorme de te mandar às urtigas, não tenhas dúvidas disso. 

- Aquela fotografia do bolo de aniversário da Isabel com a pergunta "Queres um bocadinho?": Sim, este é talvez o erro mais básico de quem envia e o que deixa um maior sentimento de perda em quem está longe, especialmente quando a pessoa em questão está sozinha. Se é verdade que a emigração é "uma escolha" também é verdade que já é duro o suficiente ver toda a gente junta nas redes sociais e estar sozinho em casa a 3000km de distância... portanto tira as tuas conclusões especialmente em épocas como o Natal.  

- Enviar convites para todos os eventos e mais alguns: ou são os jantares de Natal do Grupo de Amigos ou a Festa de Anos da Cristina... É feito no sentido do "pensamos em ti" mas, se sabemos que a pessoa só vêm uma semana depois, vai resultar na sensação de "morrer na praia". Comenta que vais fazer a festa mas evita as mensagens partilhadas e os pormenores de organização via grupos de facebook. 

- Contar todas as história e enumerar todas as pessoas que morreram na aldeia. É que não vale a pena. A maior parte das vezes ou são sobre pessoas que mal conhecemos ou são histórias que não nos interessam. Limitem-se a dar novidades das pessoas de quem gostamos mesmo muito. 

Esta lista poderia ser muito mais longa mas admito que a fiz com base na minha experiência e sem sentido depreciativo (a do pedir coisas emprestadas talvez um bocadinho...) mas antes como um desabafo e um "alerta" a quem está desse lado.

Acreditem que passar a noite de Natal sozinha, fazer uma videochamada para casa e toda a família passar em frente ao computador e em vez de te desejar um Feliz Natal te oferece um bocadinho da sobremesa que está a comer é, no mínimo, chato (mesmo que até haja uma ou outra coisinha para comer em casa)... e no entanto são muitos aqueles que o fazem sem intenção. 

Se quiserem mandar mensagens ou conversar perguntem como a pessoa está, falem de vocês! É isso que interessa a quem está longe. Deixem de lado os ditos e mexericos e aquilo que não é importante e aproveita o momento, mesmo que à distância. 

E vocês? Qual a mensagem que mais vos magoou quando estavam longe? Já fizeram alguma destas coisas a um amigo ou familiar que vive noutro pais? Não deixem de dar a vossa opinião nos comentários! Obrigado pela visita! 

Margarida

 

 

27
Ago17

Eu vi#1 "The True Cost"


Margarida

"The True Cost" ou em português "O Verdadeiro Custo" é um documentário lançado em 2015 que nos revela o "lado negro" do fast fashion: com os seus custos ambientais e médico-sociais especialmente em países produtores como é o caso da China e do Bangladesh. 

Se já te perguntaste quem são as pessoas que fazem as tuas roupas, como é possível pagar tão pouco por uma peça de roupa ou porque é que ela se estraga cada vez mais depressa dá uma espreitadela no trailer. Caso nunca tenhas pensado em tal coisa ou o teu desporto favorito sejam "compras" então estás no sítio certo...

Este documentário é impressionante e será uma mais valia para todos nós: aqueles que se querem iniciar no minimalismo, aqueles que são viciados em compras ou aqueles que se esquecem da responsabilidade que temos sobre os objetos, aqueles que compramos e aqueles que deitamos fora.

Margarida

 

 

 

05
Ago17

A Escrita como uma Aliada!


Margarida

Despertei para a importância da escrita já há algum tempo atrás quando, depois de passar meses e meses, a ler sobre psicologia positiva decidi finalmente escrever (anteriormente apenas dizia em voz alta) o que queria "ser" daqui a uns anos. 

Fiquei tão impressionada com a quantidade de coisas que consegui escrever que me perguntei várias vezes porque raio nunca tinha pensado naquilo antes! 

Escrever pode ser uma forma clara de "dar forma" e "clarificar" aquilo que somos ou o que queremos. De conseguir ver mais além do que aquilo que os nossos olhos nos mostram. É correlacionar várias áreas da nossa vida e perceber exatamente onde é que elas se cruzam. 

Os blogues são, por si só uma ótima forma de perceber o que é importante ou não. Quando contamos episódios da nossa vida, quando escrevemos sobre uma viagem, uma experiência ou um restaurante, quando propomos um DIY ou uma lista de produtos experimentados estamos a colocar lá, ponto por ponto, o nosso sentimento e a nossa experiência muito melhor e mais profundamente do que se apenas a contássemos aos amigos. 

Desde que percebi esse enorme potencial da escrita faço o que posso para dar forma aos meus pensamentos, sentimentos e as minhas necessidades desta forma e direccionado para as várias áreas da minha vida!

Deixo-vos aqui algumas ideias de como utilizar formas escritas para vos facilitar a vida e vos ajudar a tornarem-se mais organizados, evitarem más surpresas e sobretudo perceberem quem são, do que precisam e se tornarem mais felizes: 

- Listas de Compras: Se, há alguns anos a esta parte, eram apenas uma futilidade hoje vejo-as como algo mesmo necessário. O meu método é assentar tudo aquilo que está a acabar para repor o stock sem surpresas. Quando quero fazer algum prato especial tento programas as coisas em avanço e, dentro do possível, evitar voltar duas e três vezes ao supermercado durante a semana. Poupança garantida de tempo e de dinheiro! 

- Menus Semanais: Fiz-vos há algum tempo um post sobre o tema. Uma forma rápida de evitar a preguiça e a frustração de não saber o que preparar para a refeição seguinte, de comer melhor e de não desperdiçar comida!

- Budget: Esta foi talvez a lista onde tive dificuldade a aderir. Considerei-me sempre ponderada nas minhas compras mas, a verdade, é que cheguei muitas vezes ao fim do mês sem saber o que raio tinha feito ao dinheiro. Organizo o meu "budget" mensal com todas as minhas despesas e os valores que preciso para cada item, tal como já vos expliquei num artigo sobre o tema. Utilizo o mesmo princípio para organizar viagens ou quando preciso de fazer uma compra mais "pesada" financeiramente. Torna tudo francamente mais fácil, sem a sensação de se sentir pressionado e ainda com possibilidade de mais poupança, ou um miminho, no final do mês!

- Listas de Necessidades: Esta lista funciona um bocadinho como uma "lista de compras" mas é mais virada para a roupa, objetos da casa e de decoração. Ela é ideal para todos aqueles que têm dificuldade em controlar as compras irrefletidas e de momento. Por exemplo se acho que preciso de um vestido azul escrevo-o na lista e deixo-me alguns dias para perceber se preciso mesmo dele ou não. Se achar que sim deixo-o na lista depois classifico-o em prioridade: é mesmo urgente/prioritário? pode esperar o próximo mês? ou é uma compra a programar para daqui a algum tempo? 

Todas estas perguntas permitir-nos-ao perceber se essa compra nos fará mesmo feliz e se, ao comprarmos um vestido este mês não vamos por em causa a compra do livro que precisamos para a escola, por exemplo. Não se esqueçam que a maior parte das compras que fazemos são por impulsos que duram pouquíssimo tempo e, se nos deixarmos dois ou três dias para pensar, acabaremos por nem nos lembrar mais dela. 

- Lista dos Desejos: Tenho esta lista em duas versões. Uma para mim própria e outra em comum com o meu namorado. Delas fazem parte aquilo que quero/queremos fazer ou ter. Sejam viagens, compras, experiências... São uma boa maneira de sermos honestos connosco de próprios e saber o que queremos ter! Seja hoje ou daqui a 5 anos. 

- Lista de Objetivos: Tal como a anterior. Tenho esta lista em versão tripla: os meus objetivos mensais, os meus objetivos trimestrais e os nossos objetivos a dois. Ao contrário da lista de desejos coloco/colocamos nesta lista aquilo que já sabemos que queremos mas que precisamos planear ou trabalhar. Seja aprender uma língua nova, ser promovido no emprego ou mudar de casa essas pequenas coisas são importantes para não perdermos o "Norte" dos nossos dias e guardar uma certa motivação mesmo nos momentos mais críticos. 

- Lista de Gratidão: O objetivo desta lista é enumerar, todos os dias, o que de bem te aconteceu. Isso permitirá perceber que, mesmo o dia mais difícil teve coisas muito boas. Estas listas são também muito úteis quando estamos a passar uma fase má entre o casal, no trabalho ou com amigos ou família. Basta consulta-la e ver a quantidade de vezes que a pessoa nos fez feliz e tudo se tornará menos negro. 

- Escrever sobre os problemas pode também ser uma boa forma de tornar a coisa mais clara e assim mais suportável. Pode também ser uma ferramenta para encontrar uma solução que, de outra forma, não conseguiríamos vê-la tão "enrolados" que estávamos nos problemas. 

E assim vos deixo uma série de formas em que podem utilizar a escrita como uma ajuda a ser mais organizados e a não desperdiçar tempo, dinheiro e energia com coisas do dia a dia ou problemas. Uma boa forma de compilar estas informações será por exemplo o "Bullet Journal" ou num caderninho. Para as coisas mais práticas como as listas de compras ou o budget nada como um ficheiro excel ou descarregar a aplicação "Google Tips" que te permitirá criar listas e notas no teu telemóvel e que estarão sempre ali "à mão de semear". 

Espero que este post vos tenha agradado e que vos dê algumas ideias para se organizarem e se conhecerem melhor. Estou curiosa deste lado para saber se vocês usam listas e, se sim, quais e como. Aguardo o vosso feedback!

Boa Noite de Sábado!

Margarida

 

31
Jul17

Vantagens e Desvantagens de viver sozinha!


Margarida

Ter a experiência de "viver sozinha" era algo que ambicionava desde que acabei a universidade.

Tive um grupo de colegas extraordinárias nessa época e podemos orgulhar-nos de tudo ter corrido bem durante 4 anos coordenando estudos, noites de sono e de festa e banhos de manhã vivendo a 5 dentro de um apartamento minúsculo, com dois quartos e uma única casa de banho! É obra, meus caros! 

Depois disso, e por razões que só a razão desconhece, voltei à casa que me viu nascer. Recuperei o meu quarto (onde só dormia eu, logo só aí já ganhei um pouco mais de espaço) mas ,apesar da compreensão da parte dos meus pais, senti este "regresso a casa" como um retrocesso, uma espécie de "perda de liberdade". E o bichinho continuo lá dentro: queria ser independente... 

Com a vinda para França partilhei casa com uma colega portuguesa. Correu tudo lindamente, ganhámos muitas histórias para contar, aprendemos a gerir coisas, montámos móveis, partilhámos coisas, acumulámos experiência e sempre me senti em casa... naquela casa onde já haviam algumas coisas que eram minhas, que tinha pago com o meu dinheiro, como uma menina grande! 

Com a mudança de cidade, o "ter uma casa só minha" tornou-se inevitável, e também uma certa exigência. E se gosto desta minha casa: decorada por mim, com coisas com as quais me identifico. É luminosa, numa zona relativamente calma, com um parque ao lado e a 5 minutos a pé do hospital (se soubessem o jeito que dá, sobretudo à noite...). Sinto-me mesmo muito bem neste pequeno apartamento que me acolhe de cada vez que abro a porta de casa. 

Neste momento, ao fim de um ano e meio na "minha casa", estou em condições de vos apresentar algumas vantagens e desvantagens desta história de ser o único habitante da casa. 

 

As Vantagens: 

- Podes perfumar a casa ou cozinhar o que queres sem reclamações quanto aos cheiros; 

- Tens o direito de comer onde e quando queres, como queres e sem horários restritos; 

- Levasta-te e deitas-te à hora que te apetece sem comentários do tipo "já te vais deitar?" ou "ainda é cedo"; 

- O barulho começa de manhã ou à noite conforme te apeteça, só não exageres por causa dos vizinhos; 

- Qualquer assunto relacionado com decoração, limpeza e organização só te dizem respeito a ti; 

- No final do mês só pagas os teus esquecimentos de água a correr e de luz acesa; 

- Não tens de coordenar as horas de levantar, tomar banho e cozinhar com ninguém; 

- Estar às escuras ou com as luzes todas acessas, ouvir música no máximo ou estar em silêncio são tudo pequenas coisas que estás à vontade para fazer

- Tens o direito de passar os fins de semana deitada no sofá a ler sem ouvir o barulho de uma mosca; 

- Podes vestir-te como quiseres em casa. Até podes estar despida se te apetecer...

- Se te apetecer desligar o telefone e a net estás à vontade. Ninguém te importunará... a não ser o correio que vêm sempre a horas impróprias; 

- Podes convidar quem quiseres a vir a tua casa sem teres de chegar a acordo com outra pessoa e podes também chegar a casa à hora que te apetecer sem dar justificações a ninguém. É que mesmo uma colega de casa fica inquieta se chegares tarde e não avisares; 

- Podes seguir as séries todas que quiseres, e as fofocas das revistas também; 

- Os rituais de beleza mais estapafúrdios estaram à tua disposição; 

 

As Desvantagens: 

- Todas as despesas são por tua conta: renda, água, luz, gás, comida, bebida, decoração...; 

- Acabas por comer muitas vezes em frente ao computador ou à televisão para não te sentires sozinha a jantar (pessoalmente faço um esforço enorme mas consigo pôr a mesa e sentar-me a jantar na cozinha); 

- Em dias mais stressantes, ou cansativos, o jantar acaba por ficar em segundo plano; 

- Se chegares a casa demasiado triste não tens ninguém que te puxe para cima, se chegares demasiado eufórica ninguém te chamará "à terra"; 

- O computador e o telemóvel acabam por ser a tua maior companhia;

- Os amigos não estão sempre em nossa casa, nem nós em casa deles, e isso faz com que o nosso maravilhoso sofá ou a nossa varanda não sejam locais tão conviviais como pareciam ao início; 

- O silêncio é agradável mas pode tornar as noites e os dias muito longos, especialmente se não for bem gerido! 

- As tarefas domésticas são feitas apenas por um e o transporte dos sacos das compras também... A vantagem está em que te pouparás a discussão por causa do tampo da sanita!

E esta é a minha lista de vantagens e desvantagens de viver sozinho! Apesar de, às vezes, acusar as noites demasiado longas o silêncio não me pesa muito e aprendi a apreciar a minha própria companhia, o que por si só é uma grande vitória! 

E vocês, qual a vossa experiência? Viver sozinho ou não? E se sim, qual a vossa impressão?

Um grande beijinho e aguardo as vossas respostas! 

Margarida

 

 

 

 

07
Jul17

3 Meses sem calmantes! Yeah!!!


Margarida

Como já vos contei em vários outros posts, à alguns anos atrás tive um problema de burn-out e ansiedade. Nessa altura, mais ou menos pelo final do Inverno do ano de 2014, percebi que não podia continuar assim e acabei numa consulta de psiquiatria. 

O primeiro especialista a que fui, e que se é verdade que me apanhou em plena fase negra, escolheu uma terapêutica 100% com medicamentos. Poucas palavras e nenhuma tentativa de estabelecer mais contacto do que aquele que permite a distância entre o paciente e o médico com a secretária pelo meio.

Passei a tomar comprimidos para tudo: para não chorar, para dormir, para acordar... Não critico, nem nunca critiquei as opções clínicas do médico pois, verdade seja dita permitiu-me tirar a cabeça da areia e respirar. Mas, à medida que a situação se estabilizou, e a minha vida deu um dos primeiros turbilhões que estava a precisar decidi deixar de ir às consultas. A sua distância incomodava-me um pouco, assumo. Esse foi o meu primeiro grande erro! 

Completamente noviça nessas coisas de antidepressivos e hipnóticos acabei por fazer uma espécie de desmame de uma forma abrupta e completamente sem nexo. À medida que os comprimidos acabavam eu simplesmente não comprava mais... 

Passado algum tempo, com a partida iminente nesta aventura por terras gaulesas, decidi procurar novamente ajuda médica e, desta vez, o psiquiatra em questão ia muito mais ao encontro daquilo que eu acredito que é o papel de um profissional de saúde. Escutou-me, tentou entender-me e ajudar-me a encontrar soluções.

Claro que, entre a situação que estava ainda fora do meu controlo,  e a minha vida a aproximar-se perigosamente de uma viragem que ninguém poderia adivinhar se iria correr bem ou mal, o recurso a medicação foi inevitável. Ao menos teria um suporte para todas as mudanças que se avizinhavam. Mas desta vez a medicação utilizada foi mais ligeiras e em doses perto das residuais.

Durante quase 3 anos era impossível estar em completo silêncio sem ser para dormir, perder uma noite de sono era sinónimo de quatro dias de recuperação e de uma dor de cabeça mortal, as minhas mãos tremiam-me 24/24 horas por dia e sempre que vinha uma dor de cabeça sentia-me apreensiva.

Não sei se fui só eu mas durante a altura mais incapacitante de todo o meu processo, as dores de cabeça eram muito fortes e constantes. 

A ideia era e sempre foi que eu tomasse a minha vida e as minhas emoções em mãos e que o seu uso seria só uma "ajuda" e nunca a causa do meu restabelecimento. 

À cerca de dois anos decidimos, leia-se eu e o médico, que estava na altura de começar a reduzir as doses terapêutica. Tudo se passou sempre bem e desta vez sempre segui os seus conselhos. 

No entanto voltei a decidir mudar tudo outra vez... aproximava-se uma mudança de mais de 7 horas de viagem de automóvel entre a minha primeira "casa" e a actual. Longe de todas as pessoas com quem me tinha bem entendido inicialmente ia recomeçar tudo do zero. O desmame dos calmantes e dos antidepressivos ficou em "STOP" mais uma vez. Era mais uma grande volta... 

Estou na "nova" cidade há cerca de um ano e meio. O trabalho corre bem apesar de saber que ainda "não é aquele", a equipa não é perfeita mas aprendi que o silêncio, a capacidade de discernimento e a mostra clara de que "trabalho é trabalho, conhaque é conhaque" permitiram-me ter boas relações sem que a minha vida pessoal ficasse demasiado exposta. Aprendi a deixar o trabalho no trabalho, a não levar as opiniões alheias nem as criticas como um "ataque pessoal" e de tentar perceber se gostam de mim ou não, ou se dizem mal de mim ou não uma tarefa, entre todas as outras. 

A entrada de "alguém especial" na minha vida, o que não foi de todo um processo tão fácil nem "linear" também foi uma nova aprendizagem. Afinal os erros e as mágoas do passado tinham-me dado experiência para quê continuar a sentir pena de mim própria?! E por fim, o maior balão de oxigénio que se pode ter, consegui finalmente fazer as pazes comigo mesma. E esse foi, sem dúvida, o mais desafiante e o mais importante dos desafios.

Incluí novas coisas no meu dia a dia: desporto, alimentação, sofrologia, mindfulness, meditação... nem sempre foi fácil mas acabei por me disciplinar. A etapa mais dificil foi mesmo encontrar o sono de uma forma natural. Aceitei que todas as pessoas têm insónias, que não é nada de grave e a meditação ajudou-me neste processo apesar de, ainda hoje, notar que a minha "qualidade" de sono se alterou, acordo de manhã igualmente descansada. 

A minha resistência às lágrimas nunca foi muito forte e, com o desmame fiquei com as emoções muito mais à flor da pele sem no entanto me sentir fragilizada, e muito menos envergonhada, com isso. 

Já passaram três meses e estou bem e feliz. Consigo estar em casa, em total silêncio sem me sentir incomodada, voltei a puder ir a lugares com muita gente e barulho sem que o som me suba à cabeça e que lá permaneça como um ruído gigante. As minhas mãos tremem menos e os meus dias têm fases distintas decidadas a mim própria, à minha família e amigos, ao meu namorado e ao meu trabalho. 

A qualidade e a higiene de vida tornaram-se fundamentais sem, no entanto, pensar nisso como uma obsessão e, apesar de ter sido longo e ter tido muitos altos e baixos acho que eu, e todos aqueles que me acompanharam ao longo destes anos, estamos de parabéns não pelo fim do consumo de antidepressivos e calmantes mas por nunca me terem deixado acreditar que era para a vida toda e que não podia assumir sozinha o controlo da minha vida. 

O meu conselho a todas as pessoas que estão a passar por uma destas situações: os químicos devem ser tomados de forma pontual e não "para a vida" como se houve bastantes vezes. Tentem cercar-se daqueles que vos amam, aprendam a "relativizar" e que "errar é humano", perdoem-se a vocês e aos que vos fizeram mal. Sorriam, cuidem-se e fortaleçam-se. Reencontrem-se e acreditem que a vossa vida é vossa e não é uma má fase que vos vai roubar o seu controlo. 

Um grande beijinho de força e esperança! 

Margarida

 

07
Fev17

Amar-se a si mesmo!


Margarida

Sou o género de pessoa que é capaz de amar até à loucura. E não falo apenas do amor entre casais. Amo a minha família, os meus amigos, o meu trabalho, a minha casa... Mas, dentro do meu "amor desenfreado" aprendi que o amor mais sincero, aquele que tem de brilhar mais do que tudo o resto é o amor por nós mesmos!

O amor é a maior força, o maior poder que temos ao nosso dispor. Amar significa aceitar e agradecer... e a nossa vida não deve ser constituida destas duas coisas?! E como posso eu amar os outros se não me amo a mim mesmo em primeiro lugar?

E não, não é um acto de egoísmo. É uma forma de reconhecer que eu tenho valor, que eu assumo a minha vida e luto por ela... e quando eu estou pronta a fazer isso por mim, estarei disposta a faze-lo pelos outros. Sem cobranças nem exageros. 

Porque quem se ama a si próprio não precisa de mais nada e o seu amor por tudo o que o rodeia será mais forte, estável e confortável a cada dia que passa. 

Margarida

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