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A Arte da Simplicidade

"Se vives de acordo com as leis da natureza, nunca serás pobre; se vives de acordo com as opiniões alheias, nunca serás rico." (Séneca)

"Se vives de acordo com as leis da natureza, nunca serás pobre; se vives de acordo com as opiniões alheias, nunca serás rico." (Séneca)

A Arte da Simplicidade

12
Ago17

A verdadeira semana de c**o!


Margarida

Acabou finalmente esta semana interminável que já começou no Domingo passado, acabou hoje e contou com 7 dias de trabalho, uma noite de "reserva" e umas grandes crises de nervos. 

Durante este período não fiz nada mas nada daquilo que normalmente defendo: não meditei, não agradeci, não respirei fundo, não comi decentemente, não cuidei de mim nem tive paciência, nem mesmo uma atitude bondosa, para as pessoas que amo. Foi a verdadeira semana de cocó de onde só me apetecia fugir e pedir às pessoas para pararem com aquele circo todo. 

E os prejuízos estão todos lá: um cabelo que cai e que não têm jeito nenhum, uma cara de cansaço que mete medo ao susto, acne (a má alimentação e a falta de cuidados pagam-se e estou cheia de borbulhas), dores pelo corpo todo, uma sensação de fadiga infernal, o coração apertado por ter sido desagradável com os colegas no trabalho (não que me arrependa do que disse mas sim da forma pouco "assertiva" com que o disse) e chateada comigo própria por estar chateada com ele também (mesmo que saiba que não estou a ser totalmente justa)... 

Se foi do cansaço se do mau génio não sei... só sei que estou contente que esta semana termine e que eu possa, finalmente, ter um tempinho para mim e melhorar as minhas energias. Porque, tenho a dizer, estão mesmo muito negras! 

E vocês, como foi a vossa semana? Melhor do que a minha, espero! 

Margarida

02
Jul17

Vamos falar de tempo livre! Uma necessidade ou um luxo?


Margarida

Uma amiga comentava comigo que deixou um trabalho que tinha a mais do seu "horário laboral". Segundo ela o projeto que era inicialmente "pequeno" e que lhe ocupava apenas uma noite por semana cresceu e passou a passar quatro noites por semana fora de casa não tendo assim tempo nem para a família, nem para o namorado, nem para os amigos e, para não lhes faltar a eles todos, acabou por se esquecer do que era cuidar dela própria. 

As suas hesitações foram muitas: se de um lado o dinheiro lhe dava jeito mesmo que não precise dele para comer, do outro está toda uma sociedade que nos diz "trabalha cada vez mais porque tens a sorte de ter trabalho e há muita gente que quer e não tem". E com o passar do tempo aquele "tempo extra" que até lhe dava gozo e num projeto que ajudou a construir estava a tornar-se num peso e numa fonte de preocupações e inquietude e onde já ninguém se sentia totalmente satisfeito. 

Com o seu desabafo lembrei-me do meu próprio percurso. Como já vos disse em alguns posts anteriores eu própria sofri de "burn-out" e ansiedade numa determinada fase da minha vida. Fui medicada para esse efeito e, apesar da fraca dose de antidepressivos e calmantes, só consegui deixá-los completamente à cerca de 2 meses.

Ninguém é, nem nunca foi, culpado pelo meu estado de saúde que foi fruto essencialmente de horas e horas de trabalho, num emprego que não me dava prazer nenhum (apesar de fazer "aquilo" para que supostamente tinha estudado), ainda mais horas para fazer uns domicílios para aumentar ligeiramente o salário que era baixo, bem baixo para as minhas habilitações académicas e passar os fins de semana a tentar recuperar das horas de sono e do cansaço acumulado.

O tempo fugia-me por entre os dedos e com ele todas as actividades que gostava de fazer. Deixei primeiro de ter tempo para mim e depois para os outros. E quando assim foi o caos instalou-se. E demorou a que conseguisse por tudo em ordem tendo para isso que procurar um novo emprego e, como não o consegui em Portugal, fí-lo noutro pais. 

Hoje posso dizer que tenho tempo para tudo, mesmo com noites, fins de semana e feriados a trabalhar. Continuo a passar muitas horas no hospital mas aprendi a comandar o botão "on/off" e a organizar-me. Se esta semana trabalho sete dias e uma noite vou fazer os possíveis por, na semana seguinte faço o possível por ter um horário "normal" e guardar uma noite para mim própria e dar atenção aqueles de quem gosto pois nada nem ninguém

Dedico o meu tempo livre a cuidar de mim, dos que amo, mesmo daqueles que estão longe. 

Cozinho, medito, passeio no parque ao lado de casa... e nem por um minuto me sinto culpada, como já senti, pelo tempo em que "não faço nada"... 

Percebi que é esse mesmo tempo que nos permite aumentar a nossa produtividade, a nossa capacidade de gestão do stress e encontrar o tão desejado equilibrio entre vida pessoal, familiar e profissional. 

Para mim tempo livre é uma necessidade e, perante o comentário daquela amiga ou de qualquer outra pessoa neste Mundo o meu conselho dificilmente não será o mesmo: "ter dinheiro é importante, e infelizmente há quem tenha de trabalhar como doido para conseguir um ordenado para sustentar a casa e a família, mas se for possível encontrar um equílibrio e estar presente e activo na nossa própria vida e na daqueles de quem gostamos é algo que não há dinheiro nenhum que pague". Portanto para mim tempo livre, mesmo que seja pouco mas que seja de qualidade é, e será sempre uma necessidade. 

E para vocês o que significa tempo livre: é um luxo ou uma necessidade?

 

 

24
Jun17

Testemunhos de um Profissional de Saúde (em época de acesso ao ensino superior)


Margarida

Os meus dias de trabalho têm sido, nestes últimos meses, uma verdadeira corrida contra o tempo. Dias carregados de pacientes a ver, tomadas de decisões nem sempre fáceis e tantas coisas a fazer e a organizar para que a hospitalização e a continuidade de tratamentos seja garantida... 

Cuidar de pessoas não é só seguir prescrições é também aconselhar o paciente, discutir opções terapêuticas com os médicos/colegas e tomar a cada dia decisões que podem melhorar ou não a vida de quem temos à nossa frente. Nem sempre é fácil, ou seria mais fácil não questionar e cumprir o estritamente necessário mas, dentro do meu papel de profissional de saúde sempre tive preocupações bastante holísticas com o doente. Faço do seu bem estar e do seu conforto uma prioridade em detrimento de técnicas elaboradissimas e que se centram apenas naquele problema que diagnostiquei.

No entanto, e se é verdade que o nosso trabalho enquanto profissionais de saúde é gratificante, não é menos verdade que por vezes ele se torna injusto e emocionalmente pesado. 

Num hospital somos, todos os dias, confrontados com a morte e com a incapacidade. Assistimos a autênticas tragédias, a pessoas que definham aos poucos aos nossos olhos sabendo que nada podemos saber contra isso. Quando a pessoa já se abandonou nada a fará voltar atrás... 

E depois, saímos daquele quarto e colocamos na cara o nosso melhor sorriso quando entramos no quarto do paciente seguinte porque ele precisa de nós no nosso máximo e sem sentimentos que nos parasitam o espírito e nos apagam a objetividade... e é assim que se passa todos os dias, em cada dia.  

Festejamos a alegria de quem parte, de quem segue um caminho de recuperação e de volta à sua vida mas há sempre aquele que fica e a quem nada ou quase nada podemos fazer. 

Se é uma área de trabalho gratificante? Nunca direi o contrário. Mas que por vezes, ao cuidar "daquele" que ali fica semanas e meses a fio sem visitas nem vontade de viver as lágrimas sobem-nos aos olhos, a frustração e a fúria pela nossa própria inércia e a incapacidade de realizar aquele trabalho em que tudo acaba bem que nos ensinam na faculdade toma conta de nós.

E não podemos deixar que os outros o percebam nem nos podemos dar ao luxo de perder a objetividade e o profissionalismo que nos é pedido, e que eu tanto prezo. 

Este texto foi escrito por acaso mas, em época de exames nacionais e de candidaturas de acesso ao ensino superior, deixo-o como um testemunho a todos aqueles e aquelas que pretendem seguir uma carreira nas áreas da saúde e do social:

Estejam preparados para todos os dias ter o coração apertadinho e dar o máximo de vocês a todos aqueles que vão beneficiar do vosso trabalho. Sejam resilientes, transmitam esperança e bons sorrisos.

Deus sabe como eles são por vezes mais necessários e melhor tratamento do que qualquer tratamento médico.

Sejam positivos mas restem objetivos, não criem falsas esperanças naqueles de quem cuidam pois elas só o iram destruir se não se concretizarem.

Estejam preparados para aguentar as lágrimas, forçar sorrisos, dizer o que por vezes não temos vontade de dizer. Esforcem-se por eles e por vocês e não se esqueçam nunca que cuidar do outro é mais do que uma vocação é uma escolha de vida e cabe-nos a todos nós que enveredamos por esse caminho ser cada dia melhores profissionais e sobretudo melhores pessoas! 

Margarida

04
Jun17

10 Regras de Ouro para Viver em Paz... com os colegas de trabalho!


Margarida

Podemos escolher muita coisa na nossa vida... no entanto "colegas de trabalho" não (e é verdade que por vezes dava jeito). 

Seja por nos fazerem a vida negra, por serem péssimos profissionais ou porque pura e simplesmente temos dificuldade em aguentar os seus pontos de vida quem nunca se viu com vontade de fugir de um emprego à conta deles? 

Ao longo da minha (ainda curta) carreira profissional lidei com equipas difíceis e com pessoas difíceis e se me chateei muitas vezes, hoje percebi que prefiro ter paz e deixar o assunto completamente para trás: pelo meu bem, pelo meu trabalho e sobretudo pela qualidade dos meus dias! 

Aqui vos deixo "10 Regras de Ouro" que eu tento por em prática dia após dia (mesmo que as falhe muitas vezes e que passe a vida a repreender-me a mim mesma por isso) para tornar a minha vida, e a daqueles que vivem comigo, mais feliz e completa: mesmo com colegas de trabalho difíceis. 

Regra de Ouro n.º 1: Lembra-te que não estás no trabalho para fazer amigos! 

Quem nunca sonhou ter a melhor amiga na equipa de trabalho, como uma produção televisiva muito ao jeito de Meredith Grey e Cristina Yang em Grey's Anatomy?! Infelizmente não é fácil criar verdadeiras relações de amizade no local de trabalho: seja por competitividade ou por discrepâncias de opinião. Não sendo no entanto impossível (eu sou uma felizarda que fez alguns bons amigos entre os meus colegas de trabalho) não deixes de te manter disponível mas realista: os pontos de vista e as escolhas pessoais podem tornar essas amizades complicadas sem contar que, muitas vezes, pode ser a curiosidade e não o verdadeiro interesse que movem a outra pessoa. 

 

Regra de Ouro n.º2: Guarda a tua vida pessoal para ti (dentro do possível)!

Evita fazer comentários sobre a tua vida pessoal ou familiar no local de trabalho, mesmo durante as horas de almoço ou de pausa. Estás lá para trabalhar não para participar em consultas de psicologia e não vais sentir-te bem se a tua história for debatida por várias pessoas, pois não?! Se a questão pessoal for uma pergunta directa e não conseguires simplesmente não responder fá-lo de uma forma simpática mas vaga e que não dê margem a comentários maldosos por trás!

 

Regra de Ouro n.º 3: Foge a 7 Pés de quem vêm constantemente fazer-te queixas

Para além de serem pessoas do tipo "tóxicas" que nos esgotam a energia e o bom humor arriscamo-nos também a perceber que são verdadeiros "vai-e-vem" de queixas e que a única pessoa "boa" no meio daquilo tudo é ela mesma! Utilizando uma frase de uma grande amiga minha: "nas costas dos outros vejo as minhas"!

 

Regra de Ouro n.º 4: Sê como tu... mas mantém a compostura! 

Festas com colegas de trabalho, happy hours e outros que tais são bons para manter a união entre a equipa: Inquestionável! Mesmo que os teus colegas não sejam os mais fofos do Mundo apresenta-te a essas pequenas reuniões informais mas, no entanto, não caias em excessos nem em exageros. Sê tu mesmo e diverte-te mas deixa as fotos comprometedoras, as roupas demasiado chamativas (se não fazem parte do teu look habitual quando vais trabalhar) e os copos a mais para noites em que estás segura e rodeada por "verdadeiros" amigos. Com os colegas de trabalho, mesmo que a relação seja boa, mantém sempre alguma descrição afinal, se alguma coisa correr mal, terás de lidar com "piadolas" e "sorrisinhos" no dia a seguir... 

 

Regra de Ouro n.º 5: A minha avô teve sempre uma máxima que guiava a sua relação com as vizinhas: "evitar a todo o custo andar em casa desta e daquela".

Se um colega de trabalho, por nada ou coisa nenhuma, te convida para ir a sua casa beber um copo e discutir seja aquilo que for: foge! Assuntos de trabalho devem ser discutidos no trabalho e se há tanto segredo a coisa é de desconfiar. Caso contrário, se a intenção for a melhor e se o objetivo for realmente conhecerem-se melhor e criarem uma boa parceria/amizade o ideal será combinar qualquer coisa num sítio neutro para os dois lados.

Ser convidado para casa de alguém significa já uma certa porta aberta para a intimidade da pessoa portanto, quando se fala em relação pessoal / profissional melhor não precipitar e deixar fluir naturalmente!

 

Regra de Ouro n.º 6: Guarda as tuas opiniões e os teus conhecimentos para ti.

Responde ou fala apenas quando te pedirem opinião. Manteres-te discreta permite-te fugir de centros de conflito e, ao mesmo tempo, evitarás comentários e julgamentos maldosos como "está a armar-se", "têm a mania" ou "só fala do que não sabe". 

 

Regra de Ouro n.º 7: Sê assertivo!

Quando tiveres de falar, fala. No entanto opta por escolher uma estratégia de comunicação o mais assertiva possível! Diz o que tens a dizer mas não te esqueças de que, do outro lado, está uma pessoa que merece o máximo respeito do Mundo (sim, sim... mesmo as "más" pessoas o merecem): portanto sê direta, clara, objetiva e, custe o que custar, evita os comentários demasiado pessoais ou agressivos. Podes ser uma "bruxa" na mesma mas ao menos a tua consciência e, todos aqueles que têm dois dedos de testa, saberam quem é digno de respeito! 

 

Regra de Ouro n.º 8: Não entres em grupos de críticas!

Evita entrar em grupos de diz que disse! Se todos falam da ação do chefe ou de um colega ouve mas abstém-te de comentar. Se o assunto for contigo vai ter diretamente com a pessoa em questão e expõe-lhe as tuas razões. Alimentar guerras internas aumenta em 50x a noção dos problemas, baixa a motivação e começamos a não nos investir. E há alguma coisa pior quando temos de passar 8h por dia naquele local com aquelas pessoas?

 

Regra de Ouro n.º 9: Não leves as críticas ou as discordâncias de opinião como algo pessoal, especialmente em alturas tensas para a equipa.

Se mantiveres uma postura profissional os outros serão forçados a tê-la também perante ti! 

 

Regra de Ouro n.º 10: Melhor fazer-se de parva ou de andar a dormir e fazer bem o seu trabalho

...do que ser o elemento mais popular da equipa ou e um alvo a abater por todos os lados! 

 

Atenção que nenhuma destas regras é estanques, elas advém da minha própria experiência não vão fazer da tua vida no teu local de trabalho um mar de rosas mas, pelo menos, proteger-te-ão de alguns dissabores no entanto não te esqueças que em caso algum deves desistir das tuas ambições ou dos teus objetivos para evitar ter problemas com os colegas, eles seram inevitáveis mas, quanto menos implicada do ponto de vista pessoal com a equipa menos essas críticas te vão fazer sofrer e tirar a força e a vontade! 

Espero que este artigo vos tenha agradado. Se sim deixem um pequeno comentário pois tenho mais dois ou três temas sobre "paz" em contexto laboral que gostava de partilhar convosco e que não sei ainda como fazer!

Quanto a mim despeço-me até ao próximo post no blogue e não se esqueçam de fazer like na página de Facebook de "A Arte da Simplicidade" ou seguir-me via instagram! 

Margarida

 

 

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