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A Arte da Simplicidade

"Se vives de acordo com as leis da natureza, nunca serás pobre; se vives de acordo com as opiniões alheias, nunca serás rico." (Séneca)

"Se vives de acordo com as leis da natureza, nunca serás pobre; se vives de acordo com as opiniões alheias, nunca serás rico." (Séneca)

A Arte da Simplicidade

12
Ago17

A verdadeira semana de c**o!


Margarida

Acabou finalmente esta semana interminável que já começou no Domingo passado, acabou hoje e contou com 7 dias de trabalho, uma noite de "reserva" e umas grandes crises de nervos. 

Durante este período não fiz nada mas nada daquilo que normalmente defendo: não meditei, não agradeci, não respirei fundo, não comi decentemente, não cuidei de mim nem tive paciência, nem mesmo uma atitude bondosa, para as pessoas que amo. Foi a verdadeira semana de cocó de onde só me apetecia fugir e pedir às pessoas para pararem com aquele circo todo. 

E os prejuízos estão todos lá: um cabelo que cai e que não têm jeito nenhum, uma cara de cansaço que mete medo ao susto, acne (a má alimentação e a falta de cuidados pagam-se e estou cheia de borbulhas), dores pelo corpo todo, uma sensação de fadiga infernal, o coração apertado por ter sido desagradável com os colegas no trabalho (não que me arrependa do que disse mas sim da forma pouco "assertiva" com que o disse) e chateada comigo própria por estar chateada com ele também (mesmo que saiba que não estou a ser totalmente justa)... 

Se foi do cansaço se do mau génio não sei... só sei que estou contente que esta semana termine e que eu possa, finalmente, ter um tempinho para mim e melhorar as minhas energias. Porque, tenho a dizer, estão mesmo muito negras! 

E vocês, como foi a vossa semana? Melhor do que a minha, espero! 

Margarida

05
Ago17

A Escrita como uma Aliada!


Margarida

Despertei para a importância da escrita já há algum tempo atrás quando, depois de passar meses e meses, a ler sobre psicologia positiva decidi finalmente escrever (anteriormente apenas dizia em voz alta) o que queria "ser" daqui a uns anos. 

Fiquei tão impressionada com a quantidade de coisas que consegui escrever que me perguntei várias vezes porque raio nunca tinha pensado naquilo antes! 

Escrever pode ser uma forma clara de "dar forma" e "clarificar" aquilo que somos ou o que queremos. De conseguir ver mais além do que aquilo que os nossos olhos nos mostram. É correlacionar várias áreas da nossa vida e perceber exatamente onde é que elas se cruzam. 

Os blogues são, por si só uma ótima forma de perceber o que é importante ou não. Quando contamos episódios da nossa vida, quando escrevemos sobre uma viagem, uma experiência ou um restaurante, quando propomos um DIY ou uma lista de produtos experimentados estamos a colocar lá, ponto por ponto, o nosso sentimento e a nossa experiência muito melhor e mais profundamente do que se apenas a contássemos aos amigos. 

Desde que percebi esse enorme potencial da escrita faço o que posso para dar forma aos meus pensamentos, sentimentos e as minhas necessidades desta forma e direccionado para as várias áreas da minha vida!

Deixo-vos aqui algumas ideias de como utilizar formas escritas para vos facilitar a vida e vos ajudar a tornarem-se mais organizados, evitarem más surpresas e sobretudo perceberem quem são, do que precisam e se tornarem mais felizes: 

- Listas de Compras: Se, há alguns anos a esta parte, eram apenas uma futilidade hoje vejo-as como algo mesmo necessário. O meu método é assentar tudo aquilo que está a acabar para repor o stock sem surpresas. Quando quero fazer algum prato especial tento programas as coisas em avanço e, dentro do possível, evitar voltar duas e três vezes ao supermercado durante a semana. Poupança garantida de tempo e de dinheiro! 

- Menus Semanais: Fiz-vos há algum tempo um post sobre o tema. Uma forma rápida de evitar a preguiça e a frustração de não saber o que preparar para a refeição seguinte, de comer melhor e de não desperdiçar comida!

- Budget: Esta foi talvez a lista onde tive dificuldade a aderir. Considerei-me sempre ponderada nas minhas compras mas, a verdade, é que cheguei muitas vezes ao fim do mês sem saber o que raio tinha feito ao dinheiro. Organizo o meu "budget" mensal com todas as minhas despesas e os valores que preciso para cada item, tal como já vos expliquei num artigo sobre o tema. Utilizo o mesmo princípio para organizar viagens ou quando preciso de fazer uma compra mais "pesada" financeiramente. Torna tudo francamente mais fácil, sem a sensação de se sentir pressionado e ainda com possibilidade de mais poupança, ou um miminho, no final do mês!

- Listas de Necessidades: Esta lista funciona um bocadinho como uma "lista de compras" mas é mais virada para a roupa, objetos da casa e de decoração. Ela é ideal para todos aqueles que têm dificuldade em controlar as compras irrefletidas e de momento. Por exemplo se acho que preciso de um vestido azul escrevo-o na lista e deixo-me alguns dias para perceber se preciso mesmo dele ou não. Se achar que sim deixo-o na lista depois classifico-o em prioridade: é mesmo urgente/prioritário? pode esperar o próximo mês? ou é uma compra a programar para daqui a algum tempo? 

Todas estas perguntas permitir-nos-ao perceber se essa compra nos fará mesmo feliz e se, ao comprarmos um vestido este mês não vamos por em causa a compra do livro que precisamos para a escola, por exemplo. Não se esqueçam que a maior parte das compras que fazemos são por impulsos que duram pouquíssimo tempo e, se nos deixarmos dois ou três dias para pensar, acabaremos por nem nos lembrar mais dela. 

- Lista dos Desejos: Tenho esta lista em duas versões. Uma para mim própria e outra em comum com o meu namorado. Delas fazem parte aquilo que quero/queremos fazer ou ter. Sejam viagens, compras, experiências... São uma boa maneira de sermos honestos connosco de próprios e saber o que queremos ter! Seja hoje ou daqui a 5 anos. 

- Lista de Objetivos: Tal como a anterior. Tenho esta lista em versão tripla: os meus objetivos mensais, os meus objetivos trimestrais e os nossos objetivos a dois. Ao contrário da lista de desejos coloco/colocamos nesta lista aquilo que já sabemos que queremos mas que precisamos planear ou trabalhar. Seja aprender uma língua nova, ser promovido no emprego ou mudar de casa essas pequenas coisas são importantes para não perdermos o "Norte" dos nossos dias e guardar uma certa motivação mesmo nos momentos mais críticos. 

- Lista de Gratidão: O objetivo desta lista é enumerar, todos os dias, o que de bem te aconteceu. Isso permitirá perceber que, mesmo o dia mais difícil teve coisas muito boas. Estas listas são também muito úteis quando estamos a passar uma fase má entre o casal, no trabalho ou com amigos ou família. Basta consulta-la e ver a quantidade de vezes que a pessoa nos fez feliz e tudo se tornará menos negro. 

- Escrever sobre os problemas pode também ser uma boa forma de tornar a coisa mais clara e assim mais suportável. Pode também ser uma ferramenta para encontrar uma solução que, de outra forma, não conseguiríamos vê-la tão "enrolados" que estávamos nos problemas. 

E assim vos deixo uma série de formas em que podem utilizar a escrita como uma ajuda a ser mais organizados e a não desperdiçar tempo, dinheiro e energia com coisas do dia a dia ou problemas. Uma boa forma de compilar estas informações será por exemplo o "Bullet Journal" ou num caderninho. Para as coisas mais práticas como as listas de compras ou o budget nada como um ficheiro excel ou descarregar a aplicação "Google Tips" que te permitirá criar listas e notas no teu telemóvel e que estarão sempre ali "à mão de semear". 

Espero que este post vos tenha agradado e que vos dê algumas ideias para se organizarem e se conhecerem melhor. Estou curiosa deste lado para saber se vocês usam listas e, se sim, quais e como. Aguardo o vosso feedback!

Boa Noite de Sábado!

Margarida

 

31
Jul17

Vantagens e Desvantagens de viver sozinha!


Margarida

Ter a experiência de "viver sozinha" era algo que ambicionava desde que acabei a universidade.

Tive um grupo de colegas extraordinárias nessa época e podemos orgulhar-nos de tudo ter corrido bem durante 4 anos coordenando estudos, noites de sono e de festa e banhos de manhã vivendo a 5 dentro de um apartamento minúsculo, com dois quartos e uma única casa de banho! É obra, meus caros! 

Depois disso, e por razões que só a razão desconhece, voltei à casa que me viu nascer. Recuperei o meu quarto (onde só dormia eu, logo só aí já ganhei um pouco mais de espaço) mas ,apesar da compreensão da parte dos meus pais, senti este "regresso a casa" como um retrocesso, uma espécie de "perda de liberdade". E o bichinho continuo lá dentro: queria ser independente... 

Com a vinda para França partilhei casa com uma colega portuguesa. Correu tudo lindamente, ganhámos muitas histórias para contar, aprendemos a gerir coisas, montámos móveis, partilhámos coisas, acumulámos experiência e sempre me senti em casa... naquela casa onde já haviam algumas coisas que eram minhas, que tinha pago com o meu dinheiro, como uma menina grande! 

Com a mudança de cidade, o "ter uma casa só minha" tornou-se inevitável, e também uma certa exigência. E se gosto desta minha casa: decorada por mim, com coisas com as quais me identifico. É luminosa, numa zona relativamente calma, com um parque ao lado e a 5 minutos a pé do hospital (se soubessem o jeito que dá, sobretudo à noite...). Sinto-me mesmo muito bem neste pequeno apartamento que me acolhe de cada vez que abro a porta de casa. 

Neste momento, ao fim de um ano e meio na "minha casa", estou em condições de vos apresentar algumas vantagens e desvantagens desta história de ser o único habitante da casa. 

 

As Vantagens: 

- Podes perfumar a casa ou cozinhar o que queres sem reclamações quanto aos cheiros; 

- Tens o direito de comer onde e quando queres, como queres e sem horários restritos; 

- Levasta-te e deitas-te à hora que te apetece sem comentários do tipo "já te vais deitar?" ou "ainda é cedo"; 

- O barulho começa de manhã ou à noite conforme te apeteça, só não exageres por causa dos vizinhos; 

- Qualquer assunto relacionado com decoração, limpeza e organização só te dizem respeito a ti; 

- No final do mês só pagas os teus esquecimentos de água a correr e de luz acesa; 

- Não tens de coordenar as horas de levantar, tomar banho e cozinhar com ninguém; 

- Estar às escuras ou com as luzes todas acessas, ouvir música no máximo ou estar em silêncio são tudo pequenas coisas que estás à vontade para fazer

- Tens o direito de passar os fins de semana deitada no sofá a ler sem ouvir o barulho de uma mosca; 

- Podes vestir-te como quiseres em casa. Até podes estar despida se te apetecer...

- Se te apetecer desligar o telefone e a net estás à vontade. Ninguém te importunará... a não ser o correio que vêm sempre a horas impróprias; 

- Podes convidar quem quiseres a vir a tua casa sem teres de chegar a acordo com outra pessoa e podes também chegar a casa à hora que te apetecer sem dar justificações a ninguém. É que mesmo uma colega de casa fica inquieta se chegares tarde e não avisares; 

- Podes seguir as séries todas que quiseres, e as fofocas das revistas também; 

- Os rituais de beleza mais estapafúrdios estaram à tua disposição; 

 

As Desvantagens: 

- Todas as despesas são por tua conta: renda, água, luz, gás, comida, bebida, decoração...; 

- Acabas por comer muitas vezes em frente ao computador ou à televisão para não te sentires sozinha a jantar (pessoalmente faço um esforço enorme mas consigo pôr a mesa e sentar-me a jantar na cozinha); 

- Em dias mais stressantes, ou cansativos, o jantar acaba por ficar em segundo plano; 

- Se chegares a casa demasiado triste não tens ninguém que te puxe para cima, se chegares demasiado eufórica ninguém te chamará "à terra"; 

- O computador e o telemóvel acabam por ser a tua maior companhia;

- Os amigos não estão sempre em nossa casa, nem nós em casa deles, e isso faz com que o nosso maravilhoso sofá ou a nossa varanda não sejam locais tão conviviais como pareciam ao início; 

- O silêncio é agradável mas pode tornar as noites e os dias muito longos, especialmente se não for bem gerido! 

- As tarefas domésticas são feitas apenas por um e o transporte dos sacos das compras também... A vantagem está em que te pouparás a discussão por causa do tampo da sanita!

E esta é a minha lista de vantagens e desvantagens de viver sozinho! Apesar de, às vezes, acusar as noites demasiado longas o silêncio não me pesa muito e aprendi a apreciar a minha própria companhia, o que por si só é uma grande vitória! 

E vocês, qual a vossa experiência? Viver sozinho ou não? E se sim, qual a vossa impressão?

Um grande beijinho e aguardo as vossas respostas! 

Margarida

 

 

 

 

26
Jul17

Hipocrisia ou demasiada exigência?!


Margarida

Se há coisa pela qual me posso condenar é pelo facto de nem sempre conseguir exprimir aquilo que sinto com medo de magoar os outros. Não falo de discordâncias ligeiras, pessoais ou profissionais, onde sei que depois de ditas as palavras as mágoas passam e onde tento, juro que tento, usar ao máximo uma comunicação assertiva. 

Falo daqueles pontos mais profundos que vão abrir feridas. Na verdade não tenho medo de falar, tenho medo da extensão destas feridas em mim, e pior ainda, de quem está à minha frente. 

Tenho medo de ver o "Mundo" desabar com a intensidade das palavras e a frontalidade das acções e acabo por não ter palavras nem forma de expressar o que me deixa doente cá dentro. Sei que pessoas adultas e bem resolvidas não resolvem os seus problemas assim mas também sei que, grande parte do rancor e ressentimento, se deve aquele bocadinho de mim que teima em não evoluir e a não aceitar que o ser humano erra, seja eu ou sejam os outros.

E, mesmo que no momento tudo esteja bem, na minha cabeça esse sentimento "mau" tenta a todo o custo ganhar forma. Tento, juro que tento não deixar mas sei que o ressentimento e o rancor estão lá e que vão voltar, mais cedo ou mais tarde. Agora serei hipócrita ou apenas demasiado exigente? Isso não sei... ainda tenho um longo percurso para o aprender.  

Margarida

15
Jul17

HELP: Ele está a tentar deixar de fumar...


Margarida

Pois é, queridos leitores aqui por casa, e já há alguns dias, entramos num objetivo importante do Monsieur: está empenhadissimo em deixar de fumar! Compreendo perfeitamente a dificuldade da situação e, por isso mesmo, pretendo ajudá-lo nesta fase mas admito que, mesmo com a experiência profissional, nem sempre faço ou digo o que devia.

Mais ainda procurei por essa internet fora e raras foram as vezes em que consegui encontrar algo que realmente me pudesse ajudar, sendo que ia juntando uma informação aqui e acolá e aprendi a lidar com a situação meio sozinha...

Foi por isso mesmo decidi criar este post para vos deixar algumas ideias (e também para ouvir as vossas sugestões ou opiniões) para os/as acompanharem nesta situação. Espero que ele seja do vosso agrade e que vos ajude a lidar com a situação estranha de estar ao lado de alguém que quer deixar de fumar!

- Não criar pressão: Mesmo que não gostemos que a nossa "cara-metade" fume, sejamos honestos não é agradável receber um beijo a saber a cinza, não nos compete a nós decidir que a pessoa têm ou deve deixar de fumar. Essa decisão têm de ser pessoal e a motivação têm de estar presente sob pena de todo o esforço ir por água abaixo ao mínimo problema. 

- Fazer um compromisso: É difícil fazer frente a um vício, especialmente sozinho, daí ser importante criar um compromisso com a pessoa em questão. Servir de alerta quando as emoções estão demasiado à flor da pele ou simplesmente propor/acompanhar em atividades que o ocupem e que lhe permitam "não pensar no cigarro".

- Ter Paciência: o estado de animo pode alterar-se, pelo menos nos primeiros tempos, e a outra parte terá de manter a calma. Não digo que tenhamos de ouvir tudo sem reclamar mas facilitar a discussão saudável e evitar a todo o custo pequenas "agressões verbais" género: "és um bruto" ou "vai fumar um cigarro a ver se te passa o mau humor" são evitáveis.

- Induzir pequenas mudanças de rotina: uma das grandes dificuldades do fumador é lidar com a falta do cigarro a certos momentos: o café da manhã, depois do almoço, ao sair do trabalho... Se alguns desses cigarros nós não estávamos lá para ver existem outros que são em casa e mesmo debaixo dos nossos olhos e podemos criar alternativas subtis para os distrair. Se ele/a tinham o hábito de sair para a varanda fumar depois do jantar pode propor-lhe um passeio noturno no lugar. Alternativas são sempre possíveis...

- Felicitar as pequenas "vitórias": Cada dia sem tabaco é um motivo para festejar, cada gosto reencontrado ou cada cheiro reconhecido são pequenas coisas que vão trazer ao mesmo tempo prazer e uma sensação de "como é que eu não percebi isto". Ouça sem julgamentos, mas seja sincera no que responde. 

- Ser honesta: Se ele reclama de mais ou se anda de muito mau humor não tenha problemas em dizer-lhe, sempre sem criar conflito. A nicotina para além de um forte poder aditivo é calmante e, por isso, as emoções são ligeiramente alteradas (daí um fumador puxar de um cigarro sempre que está nervoso) daí, neste novo recomeço, ser importante ajudar a perceber as próprias alterações de comportamento para que ele as possa melhorar. 

- Resiliência: É rara a pessoa que deixa de fumar à primeira tentativa e é preciso estar preparado para isso. Não o julgue nem deixe a pessoa desmotivar. Mantenha-se firme, aceite e lembre-se que para a próxima será melhor. 

 

Margarida

 

12
Jul17

Comentários nas notícias...


Margarida

... que aparecem nas redes sociais, mas porque é que vos leio? A parcialidade das pessoas e as ofensas que se trocam só me tiram a paz de espírito e a vontade de acreditar no ser humano. 

Ele é chamar mentirosos ao jornalista (ou porque têm uma cor política ou um clube diferente do seu), ele é ofenderem-se uns aos outros ou ainda reagirem, sem conhecimento de causa nem espírito crítico, a todas as notícias que aparecem. 

Alguém me consegue acabar com esta mania por favor... é que a vontade de os mandar a todos ir estudar está a dar cabo de mim!

Obrigado! 

11
Jul17

O Grande Coração de CR7


Margarida

Antes de mais nada assumo-me como apoiante e sobretudo uma grande admiradora de Cristiano Ronaldo. Como futebolista, e mesmo como pessoa, o homem é um guerreiro, um trabalhador nato com grande espírito de sacrifício e isso é motivo para o ver como alguém inspirador e sobretudo digno de muito respeito. Ainda para mais admiro a sua capacidade para fazer do bem-estar daqueles que ama uma prioridade absoluta. 

Mas, como todas as pessoas que amamos e respeitamos, existem pontos de discórdia entre os diferentes modos de vida e, pessoalmente, o facto de Ronaldo ter voltado a recorrer a uma barriga de aluguer para aumentar a família é algo que me deixa um bocadinho de pé atrás. 

Não sou fundamentalista religiosa nem muito menos machista. Respeito a barriga de aluguer como prática, mesmo que ache que, em muitos casos, será apenas uma forma mais "honrosa" de venda do corpo da mulher. 

Para o jogador e a sua família é importante ter crianças, mesmo que essas crianças tenham sido pagas e que nunca vão conhecer alguém que os olhe com olhos de mãe (e não estou a falar do papel de mãe biológica). Ali haverá um pai (que estou certa que os amará muito, tal como ao filho mais velho), avó e tias mas a mãe não faz parte dos planos... porque dificilmente uma mulher, mesmo Georgina Rodriguez que parece aceitar tudo com um sorriso na cara, olhará para aqueles miúdos como uma opção do casal quando foi uma decisão unilateral e assumida unicamente por ele. 

Ser pai/ser mãe é uma expressão de amor, de entrega e de compromisso. Compromisso para com os filhos mas também um vínculo inegável entre um homem e uma mulher. Será realmente uma prova de amor assim tão grande pagar para ter crianças para amá-las "sozinho"? Será o papel de avó suficientemente forte para substituir o amor de mãe especialmente quando a adoração do jogador pela sua mãe é mais do que famosa? Será que o dinheiro pode mesmo comprar tudo? 

São perguntas às quais cada um de nós pode responder de uma forma diferente... é nossa "obrigação" respeitar todas as opiniões, sejam elas divergentes ou não e que o coração do Cristiano, a sua raça e o seu carácter são dignos de admiração disso não há dúvida. 

Margarida

 

 

07
Jul17

3 Meses sem calmantes! Yeah!!!


Margarida

Como já vos contei em vários outros posts, à alguns anos atrás tive um problema de burn-out e ansiedade. Nessa altura, mais ou menos pelo final do Inverno do ano de 2014, percebi que não podia continuar assim e acabei numa consulta de psiquiatria. 

O primeiro especialista a que fui, e que se é verdade que me apanhou em plena fase negra, escolheu uma terapêutica 100% com medicamentos. Poucas palavras e nenhuma tentativa de estabelecer mais contacto do que aquele que permite a distância entre o paciente e o médico com a secretária pelo meio.

Passei a tomar comprimidos para tudo: para não chorar, para dormir, para acordar... Não critico, nem nunca critiquei as opções clínicas do médico pois, verdade seja dita permitiu-me tirar a cabeça da areia e respirar. Mas, à medida que a situação se estabilizou, e a minha vida deu um dos primeiros turbilhões que estava a precisar decidi deixar de ir às consultas. A sua distância incomodava-me um pouco, assumo. Esse foi o meu primeiro grande erro! 

Completamente noviça nessas coisas de antidepressivos e hipnóticos acabei por fazer uma espécie de desmame de uma forma abrupta e completamente sem nexo. À medida que os comprimidos acabavam eu simplesmente não comprava mais... 

Passado algum tempo, com a partida iminente nesta aventura por terras gaulesas, decidi procurar novamente ajuda médica e, desta vez, o psiquiatra em questão ia muito mais ao encontro daquilo que eu acredito que é o papel de um profissional de saúde. Escutou-me, tentou entender-me e ajudar-me a encontrar soluções.

Claro que, entre a situação que estava ainda fora do meu controlo,  e a minha vida a aproximar-se perigosamente de uma viragem que ninguém poderia adivinhar se iria correr bem ou mal, o recurso a medicação foi inevitável. Ao menos teria um suporte para todas as mudanças que se avizinhavam. Mas desta vez a medicação utilizada foi mais ligeiras e em doses perto das residuais.

Durante quase 3 anos era impossível estar em completo silêncio sem ser para dormir, perder uma noite de sono era sinónimo de quatro dias de recuperação e de uma dor de cabeça mortal, as minhas mãos tremiam-me 24/24 horas por dia e sempre que vinha uma dor de cabeça sentia-me apreensiva.

Não sei se fui só eu mas durante a altura mais incapacitante de todo o meu processo, as dores de cabeça eram muito fortes e constantes. 

A ideia era e sempre foi que eu tomasse a minha vida e as minhas emoções em mãos e que o seu uso seria só uma "ajuda" e nunca a causa do meu restabelecimento. 

À cerca de dois anos decidimos, leia-se eu e o médico, que estava na altura de começar a reduzir as doses terapêutica. Tudo se passou sempre bem e desta vez sempre segui os seus conselhos. 

No entanto voltei a decidir mudar tudo outra vez... aproximava-se uma mudança de mais de 7 horas de viagem de automóvel entre a minha primeira "casa" e a actual. Longe de todas as pessoas com quem me tinha bem entendido inicialmente ia recomeçar tudo do zero. O desmame dos calmantes e dos antidepressivos ficou em "STOP" mais uma vez. Era mais uma grande volta... 

Estou na "nova" cidade há cerca de um ano e meio. O trabalho corre bem apesar de saber que ainda "não é aquele", a equipa não é perfeita mas aprendi que o silêncio, a capacidade de discernimento e a mostra clara de que "trabalho é trabalho, conhaque é conhaque" permitiram-me ter boas relações sem que a minha vida pessoal ficasse demasiado exposta. Aprendi a deixar o trabalho no trabalho, a não levar as opiniões alheias nem as criticas como um "ataque pessoal" e de tentar perceber se gostam de mim ou não, ou se dizem mal de mim ou não uma tarefa, entre todas as outras. 

A entrada de "alguém especial" na minha vida, o que não foi de todo um processo tão fácil nem "linear" também foi uma nova aprendizagem. Afinal os erros e as mágoas do passado tinham-me dado experiência para quê continuar a sentir pena de mim própria?! E por fim, o maior balão de oxigénio que se pode ter, consegui finalmente fazer as pazes comigo mesma. E esse foi, sem dúvida, o mais desafiante e o mais importante dos desafios.

Incluí novas coisas no meu dia a dia: desporto, alimentação, sofrologia, mindfulness, meditação... nem sempre foi fácil mas acabei por me disciplinar. A etapa mais dificil foi mesmo encontrar o sono de uma forma natural. Aceitei que todas as pessoas têm insónias, que não é nada de grave e a meditação ajudou-me neste processo apesar de, ainda hoje, notar que a minha "qualidade" de sono se alterou, acordo de manhã igualmente descansada. 

A minha resistência às lágrimas nunca foi muito forte e, com o desmame fiquei com as emoções muito mais à flor da pele sem no entanto me sentir fragilizada, e muito menos envergonhada, com isso. 

Já passaram três meses e estou bem e feliz. Consigo estar em casa, em total silêncio sem me sentir incomodada, voltei a puder ir a lugares com muita gente e barulho sem que o som me suba à cabeça e que lá permaneça como um ruído gigante. As minhas mãos tremem menos e os meus dias têm fases distintas decidadas a mim própria, à minha família e amigos, ao meu namorado e ao meu trabalho. 

A qualidade e a higiene de vida tornaram-se fundamentais sem, no entanto, pensar nisso como uma obsessão e, apesar de ter sido longo e ter tido muitos altos e baixos acho que eu, e todos aqueles que me acompanharam ao longo destes anos, estamos de parabéns não pelo fim do consumo de antidepressivos e calmantes mas por nunca me terem deixado acreditar que era para a vida toda e que não podia assumir sozinha o controlo da minha vida. 

O meu conselho a todas as pessoas que estão a passar por uma destas situações: os químicos devem ser tomados de forma pontual e não "para a vida" como se houve bastantes vezes. Tentem cercar-se daqueles que vos amam, aprendam a "relativizar" e que "errar é humano", perdoem-se a vocês e aos que vos fizeram mal. Sorriam, cuidem-se e fortaleçam-se. Reencontrem-se e acreditem que a vossa vida é vossa e não é uma má fase que vos vai roubar o seu controlo. 

Um grande beijinho de força e esperança! 

Margarida

 

02
Jul17

Vamos falar de tempo livre! Uma necessidade ou um luxo?


Margarida

Uma amiga comentava comigo que deixou um trabalho que tinha a mais do seu "horário laboral". Segundo ela o projeto que era inicialmente "pequeno" e que lhe ocupava apenas uma noite por semana cresceu e passou a passar quatro noites por semana fora de casa não tendo assim tempo nem para a família, nem para o namorado, nem para os amigos e, para não lhes faltar a eles todos, acabou por se esquecer do que era cuidar dela própria. 

As suas hesitações foram muitas: se de um lado o dinheiro lhe dava jeito mesmo que não precise dele para comer, do outro está toda uma sociedade que nos diz "trabalha cada vez mais porque tens a sorte de ter trabalho e há muita gente que quer e não tem". E com o passar do tempo aquele "tempo extra" que até lhe dava gozo e num projeto que ajudou a construir estava a tornar-se num peso e numa fonte de preocupações e inquietude e onde já ninguém se sentia totalmente satisfeito. 

Com o seu desabafo lembrei-me do meu próprio percurso. Como já vos disse em alguns posts anteriores eu própria sofri de "burn-out" e ansiedade numa determinada fase da minha vida. Fui medicada para esse efeito e, apesar da fraca dose de antidepressivos e calmantes, só consegui deixá-los completamente à cerca de 2 meses.

Ninguém é, nem nunca foi, culpado pelo meu estado de saúde que foi fruto essencialmente de horas e horas de trabalho, num emprego que não me dava prazer nenhum (apesar de fazer "aquilo" para que supostamente tinha estudado), ainda mais horas para fazer uns domicílios para aumentar ligeiramente o salário que era baixo, bem baixo para as minhas habilitações académicas e passar os fins de semana a tentar recuperar das horas de sono e do cansaço acumulado.

O tempo fugia-me por entre os dedos e com ele todas as actividades que gostava de fazer. Deixei primeiro de ter tempo para mim e depois para os outros. E quando assim foi o caos instalou-se. E demorou a que conseguisse por tudo em ordem tendo para isso que procurar um novo emprego e, como não o consegui em Portugal, fí-lo noutro pais. 

Hoje posso dizer que tenho tempo para tudo, mesmo com noites, fins de semana e feriados a trabalhar. Continuo a passar muitas horas no hospital mas aprendi a comandar o botão "on/off" e a organizar-me. Se esta semana trabalho sete dias e uma noite vou fazer os possíveis por, na semana seguinte faço o possível por ter um horário "normal" e guardar uma noite para mim própria e dar atenção aqueles de quem gosto pois nada nem ninguém

Dedico o meu tempo livre a cuidar de mim, dos que amo, mesmo daqueles que estão longe. 

Cozinho, medito, passeio no parque ao lado de casa... e nem por um minuto me sinto culpada, como já senti, pelo tempo em que "não faço nada"... 

Percebi que é esse mesmo tempo que nos permite aumentar a nossa produtividade, a nossa capacidade de gestão do stress e encontrar o tão desejado equilibrio entre vida pessoal, familiar e profissional. 

Para mim tempo livre é uma necessidade e, perante o comentário daquela amiga ou de qualquer outra pessoa neste Mundo o meu conselho dificilmente não será o mesmo: "ter dinheiro é importante, e infelizmente há quem tenha de trabalhar como doido para conseguir um ordenado para sustentar a casa e a família, mas se for possível encontrar um equílibrio e estar presente e activo na nossa própria vida e na daqueles de quem gostamos é algo que não há dinheiro nenhum que pague". Portanto para mim tempo livre, mesmo que seja pouco mas que seja de qualidade é, e será sempre uma necessidade. 

E para vocês o que significa tempo livre: é um luxo ou uma necessidade?

 

 

29
Jun17

A flatulência do Salvador... e o destilar raiva nas redes sociais


Margarida

Não sou do género colérico nem nada que se pareça. Aliás já há algum tempo que tenho um blogue onde escrevo sobre positivismo, minimalismo, bem estar, meditação entre outros temas mais ou menos 'zen' mas, desta vez vou usar este espaço para, também eu, criticar alguma coisa. Sei o que pode vir desta crítica mas, sinceramente, que se lixe. Terça feira à noite um grupo de cantares brindou-nos com um espetáculo solidário onde, entre publicidade, bilhetes e mais não sei bem o quê juntou muito dinheiro. Dinheiro infelizmente necessário para a reconstrução de casas e vidas em Pedrógão Grande. A solidariedade de que tanto nos gabamos em acção. E ainda bem. Entre 'Dama', Agir e mais outros cantores chegou a vez do nosso 'mais recente' herói nacional que é como quem diz: Salvador Sobral. Ora, Salvador que choca, que vive no seu Mundo fez mais um dos seus 'comentários' e o herói passou de 'bestial a besta'. Não digo que tenha sido o seu comentário mais feliz ou a sua piada mais divertida mas não deixa de ser o Salvador que estava. O mesmo Salvador que, à uns meses atrás, fazia concertos para um grupo restrito de pessoas que apreciam jazz, bossa nova e outros géneros musicais menos despretensiosos. E pronto caiu 'o Carmo e a Trindade' quando o rapaz larga uma piada sobre flatulência. Depois 'dessa piada' foram muitos aqueles que, qual 'virgens ofendidas' se sentiram chocados, limite ofendidos, com o músico. Mal ou bem Salvador foi 'autêntico', qualquer coisa que é muito mal aceite neste cantinho da Europa, seja pelas pessoas ou pela imprensa (que por uns likes e uns tostões fez um mar de publicidade a esta não notícia). E enquanto todo este festival continua cai-se no esquecimento do que é realmente importante: morreram mais de 60 pessoas, há famílias destruidas, pessoas que perderam tudo e muitas muitas perguntas que não têm resposta e ninguém que esteja disposto a dá-las. Enquanto isso os 'comentadores de trás do ecrã' dão lições de 'civismo' a artistas que criam o seu espetáculo, que dão lições de 'apagar fogos aos bombeiros' e que aceitam de cabeça baixa que foi a Natureza que provocou esta tragédia e para quem prevenção e planos de emergência não quer dizer nada. As redes sociais permitiram dar voz a muita gente que não a tinha mas fez também nascer uma onda de prepotência e de 'eu sou muito melhor que tu' nunca vista. E se, antes de destilar ódios, raiva e frustrações nas redes sociais deitassemos a cabeça na almofada e fizéssemos uma reflexão honesta sobre o que somos, de onde vimos e onde vamos chegar. Ah esperem... honestidade nada têm a ver com dar lições de moral a tudo e a todos...

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